O primeiro susto

Meu querido filhote…

Quando vocês, presentes de Deus, vem ao mundo, vem junto uma série de emoções, raivas e sustos que nós, pais, mães, padrastos, avós, vamos passar.

Os primeiros passinhos (emoção) vem acompanhados de tombos (sustos) e vasos quebrados (raiva!).

O primeiro dentinho (emoção) vem acompanhado de febre (susto) e dentadas inesperadas (raiva!).

As primeiras palavras (emoção) vem acompanhadas de palavrões (susto) e confrontos (raiva!).

Mas ontem eu passei com você o primeiro susto solo da sua vida. Este susto não veio acompanhado de nenhuma emoção, nem de raiva.

Fui chamada na escola para uma reunião com a coordenadora. Até aí, tudo bem. Todo semestre temos uma.

Entre elogios, observações e muita conversa sobre a nossa nova rotina, veio à pauta o desenvolvimento da sua fala.

Deixa eu te explicar: por algum motivo você sempre foi um carinha bem preguiçoso. Sentou com 7 meses, andou com quase 1 ano e meio e começou a falar com 2 anos e meio. Frente aos seus coleguinhas, você ficou um pouco atrasado nesse desenvolvimento, o que me deixava naturalmente preocupada. Mas do fim do ano passado para este ano você melhorou muito e essa melhora foi notada por todos. Mas ainda não foi suficiente… Eu esperava a indicação de uma fonoaudióloga para te avaliar e ver se é só uma “preguiça” que vai passar ou se precisávamos entrar com alguma colaboração.

Aí a coordenadora soltou a bomba: “eu gostaria de indicar o Ian para um neurologista”.

Filho, juro, eu quase caí da cadeira e tive que ser muito, muito forte para não chorar ali, na frente dela. QUÊ?! Neu-ro-lo-gis-ta?!

Um milhão de coisas passaram pela minha cabeça!

Onde foi que eu errei? Onde te negligenciei? O que fiz de errado? Foi na gestação? O que não deu certo? Esqueci de algum exame? Fui relapsa na sua criação? Não estou te dando a atenção necessária? Pode ser algo grave? O que vai acontecer com você? Eu te dou a minha vida se precisar! Enfim… É uma piração! E a gente procura, esmiúça, arruma um jeito de se culpar como se isso fizesse, qualquer que seja o problema, sair de você.

Me controlei, te peguei e fomos subindo a rua rumo ao carro de mãos dadas. Você viu que eu estava chorando e dizia “o que foi, mãe? Não chora, mãe…” e eu só chorava ainda mais.

Te coloquei no carro, enxuguei as lágrimas e liguei pro seu avô para avisar que estávamos indo para a casa dele. Tentei ser o mais natural possível para que ele não percebesse o que estava acontecendo. Não queria preocupa-lo. Mas… Liguei pro Felipe depois e desabei! Ele estava na casa da Vó Cida e pediu para eu me acalmar e ir pra lá antes – já que é do lado da sua escola e o trânsito estava de amargar.

Chegamos lá e eu só chorava. Sabia que a Cida teria alguma palavra de conforto pra me dar, afinal, ela já passou por algo muito pior e foi forte.

Te dei jantar (você AMA a comida dela) e fomos pra casa do seu avô, onde eu não consegui esconder minha tristeza e minha angústia nem por um segundo.

Hoje estamos arrumando tudo que é jeito de te estimular a falar. Felipe tem sido um anjo e muito paciente com você te puxando a língua e corrigindo cada palavra sua.

Te buscar na escola tem sido uma conquista a cada dia, uma felicidade infinita quando vejo que você já consegue, por exemplo, contar as coisas que aconteceram no seu dia – e eu consigo entende-las.

Ainda estou angustiada, confesso, e vou procurar todos os médicos que forem necessários até que cheguemos a um diagnóstico e, se necessário, um tratamento. Tiro forças todo dia de você, meu filho. Do amor infinito que sinto por você e da vontade que tenho de te fazer crescer lindo, absolutamente normal e saudável.

Te amo todo dia, o dia inteiro e cada dia mais.

Mamãe.

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Retomando os trabalhos…

Oi, filho!

Depois de mais de 3 anos, cá estou eu retomando este espaço que era só nosso.

Fiz  algumas alterações pertinentes em função das novidades da vida. Muita coisa mudou, muita coisa aconteceu da data do meu último post até hoje…

Mas acho que a mais importante delas é a que estamos vivendo hoje. Depois de muitas pessoas passarem pela nossa vida deixando suas marcas, uma chegou pra ficar – ou, pelo menos, assim esperamos. E hoje estamos dividindo a vida nós 3 e aprendendo o que é ser uma família, ter uma família, gerenciar uma família.

Até bem pouco tempo eu e sua avó gerenciávamos você e sua avó, seu avô e sua tia me gerenciavam. O Felipe gerenciava a si próprio – embora já tenha passado pela experiência de gerenciar uma vida a dois. E hoje estou aprendendo a gerenciar você com uma autonomia considerável (sem nunca esquecer a ajuda providencial que temos da sua avó todos os dias), a casa de que o Felipe empresta para chamarmos de nossa – e da qual precisamos cuidar com muito carinho – a mim mesma, minha equipe no trabalho e minha vida enquanto parte de um casal. É, cara, é muita coisa! Às vezes a vida da gente vira a chave e a gente é obrigado a crescer de uma hora pra outra.

Bem…

Você fez 3 anos semana passada. É um menino lindo, carinhoso, cativante, inteligente, que continua odiando mamão, enjoou de banana e adora carrinhos e trens. Te dei de presente uma das composições da turma do Thomas e Seus Amigos, o Donald, que você não larga de jeito nenhum! (E que eu me orgulho de ter te dado!) Seu avô te deu a mochila do Thomas, o Felipe te deu um tênis fofo (ok, fui eu que escolhi. Não é um brinquedo, mas você estava precisando de pisantes), a Bruna te deu outro tênis para ir para a escola, a Luciana te deu um edredom do Carros, seu padrinho te deu um conjunto de massinhas que suja a casa inteira (aliás, poucos foram os presentes que seu padrinho te deu que não sujam a casa) e, no momento, não estou me lembrando de mais nenhum presente.

Você está estudando na Vila da Criança, uma escola tão boa quanto linda e cara bem perto da nossa casa (Rua Pium-Í) e ontem foi seu primeiro dia na escolinha de futebol.

Tentei conter minha ansiedade de te ver em mais essa estreia na sua vida, mas não consegui. Larguei o trabalho no meio e fui voando pra escola.

Cheguei lá e te vi correndo com a bola nos pés de um lado pro outro da quadra. Tão lindo, tão saudável, tão feliz meu filho… Me preocupei em não deixar você me ver para que a minha presença não atrapalhasse sua interação com os coleguinhas. E chorei de emoção, escondida, quietinha atrás do murinho, feliz por ter você, por você ser meu filho, por ser perfeitinho e poder aproveitar todas as delícias da infância feliz que eu sempre sonhei em dar pra um filho. Que eu sempre sonhei em dar pra você desde o minuto em que descobri que você viria. Me senti inteira, completa, realizada por ver crescer o melhor pedaço de mim, a melhor coisa que eu fiz na vida, o meu motivo de acordar todos os dias, meu coração fora do peito, meu amor sem limites, incondicional, minha paixão desmedida, meu melhor amigo, meu companheiro, meu sonho realizado, que corre, que anda, que fala, que é lindo, esperto, cheio de vontades e a com quem eu ainda tenho muito o que aprender.

De repente você sentou no banco, cansadinho. Fiquei esperando o professor te notar e te chamar de volta pra quadra, mas era tanto menino que acho que ele não te viu. Então a SUPERMOMMY entrou em ação e foi te colocar pra jogo de novo.

Você me recebeu com um sorriso lindo e me abraçou. Queria brincar de carrinho, mas eu juntei todos, guardei na sua mochila, peguei uma bola e joguei pra você.

Tem um nadador brasileiro, campeão olímpico de alguma modalidade se não me engano, cuja mãe perde a voz de tanto gritar “VAI, THIAGO!” nas competições que ele participa. Me senti a própria mãe de atleta de tanto que eu gritava “VAI, FILHO! CHUTA, FILHO!” E você ia, chutava, fazia gol e levantava os bracinhos comemorando! Lindo demais!

Sabe filho, não aposto muito em um futuro brilhante pra você no Real Madri. Você pisou na bola e caiu de costas umas 7 vezes! Mas sei da importância de te incentivar a conviver, competir, interagir, sentir o gosto de ganhar e a decepção de perder. E também o valor de se concentrar, focar e olhar pra frente sempre.

Tudo ia bem até que você, avoadinho, foi correr olhando pro lado e bateu de frente com o Heitor, seu coleguinha. Foi meio feio e os dois saíram chorando. O professor pegou os dois e os incentivou a pedirem desculpas um para o outro. Às vezes, coração, não é culpa de ninguém, mas desculpar-se “por qualquer coisa” é sinal de cortesia. Seja um cara cortês. Isso só abre portas pra você.

Fato é que você estava bem cansado e o choro não cessou, apesar do meu colo. Tentei te colocar na quadra de novo, mas você não quis ir. Ok. Achei melhor não forçar. Um passo de cada vez. Um dia de cada vez. Fomos embora. Saímos da escola de mãos dadas, você com a mochilinha nas costas suado e contente.

Fomos à farmácia. Relendo tudo o que escrevi aqui, senti vontade de te ter pequenino de novo. Comprei mil xampus e sabonetes com cheirinho de bebê. Mas você pediu um com cheiro de rapazinho e consegui te visualizar com clareza daqui a 2 ou 3 anos. Já não é nem será mais o meu bebê… O tempo passa.

Fomos pra casa me sentindo a mãe mais frouxa do mundo porque te dei tudo o que você pediu. Depois parei pra pensar: amor, não vai ser sempre que eu vou poder te dar tudo o que você quer e ao longo da sua vida você vai ouvir muitos e muitos nãos. Mas enquanto eu PUDER te dar o que você quer, darei com prazer. Vou tentar te educar de outras formas para ouvir coisas que você não quer, ok?

Te dei banho, coloquei só uma cuequinha fresquinha, piquei uma maçã e te coloquei na nossa cama pra ver televisão. Você, como sempre, mexendo no meu cabelo o tempo todo. Depois você pediu um Danoninho – te dei e continuamos vendo TV só nós dois por um bom tempo.

Depois o Felipe chegou, te colocou na sua cama e pôs “O Porquinho e a Aranha” no DVD para ver se chamava seu sono. Às 22hs, te dei mamadeira e coloquei você pra dormir.

Durante a noite você acordou 3 vezes. Não sei o que houve… Talvez um sonho ruim ou, como eu, só a falta de alguma coisa te cobrindo – ainda que o calor estivesse insuportável. Você pediu água, fui à cozinha buscar. Já está largando a mamadeira da madrugada. Nunca quis forçar você a parar de mamar à noite. Sempre achei que um dia você iria parar sozinho – como parou. Agora é uma antes de dormir e outra quando acorda.

Hoje você despertou bem, lindo como sempre e de muito bom humor. Não fez xixi na fralda à noite – sinal de que está largando de vez a fralda também? Mamou, trocamos de roupa e fui deixar você com a sua avó.

Daqui a pouco vou te buscar. Pesquisei na internet uma receita de papinha de frango com cenoura pra fazer pra você quando chegarmos em casa e estou ansiosa para testar.

Te amo, meu filho… Até daqui a pouco.

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Primavera…

Há tempos que eu não coloco nada aqui… Tivemos alguns problemas, algumas dúvidas, algumas angustias. Mas já estamos resolvendo, tá?

Ontem começou a primavera, bebê. Estação das flores… Eu nunca parei pra prestar muita atenção na primavera, mas esse ano vou prestar. Por você. Pra você ver e sentir cada florzinha.

Quando você vier já vai ser verão. “São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração.” Vai estar chovendo à beça, mas não se assuste. Eu vou estar do seu lado pra te proteger de cada trovão!

Outro dia eu ouvi uma música da Marisa Monte, do CD novo Infinito Particular e, óbvio, pensei em você. Era domingo de manhã e eu estava sozinha em casa, arrumando pra ir almoçar com seu avô. Chorei muito, muito, muito… Senti um vazio, queria sentir mais você dentro de mim, não me senti tão ligada a você e isso me deixou sem saber o que fazer, o que sentir, culpada. Depois passou.

Hoje, segundo dia da primavera, me deu vontade de comprar coisas pra você. Ainda não tinha tido essa vontade. Combinei com a Analice de ir ao shopping e ver vitrine de loja de bebê. Tive vontade de já arrumar seu berço no quarto, suas coisas, bateu a ansiedade de ver minha pança crescer e de te ter logo, ver sua carinha, ver a cara das pessoas olhando pra você.

Outro dia eu sonhei que você tinha nascido. E eu olhei pra você e falei: “meu Deus, fui só a chocadeira! É um Alexandrinho! A cara do pai.” E sonhei também que tava tomando a anestesia… Juro, essa parte não foi boa. Acordei no dia seguinte com dor nas costas!

Sabe? Você deu uma trégua nos enjôos já faz um tempinho. E no sono também. Ando mais disposta essa semana. Tenho até abusado um pouquinho e dormido mais tarde. Em compensação, você está crescendo demais aqui dentro e estirando meus músculos da barriga (haja abdominal pra compensar depois que você nascer), o que dói demais! Mas fora isso, estamos indo muito bem.

Semana que vem você vai conhecer o Tiosque, nutricionista que vai cuidar da nossa alimentação pra eu não engordar uma tonelada. E também vou voltar pra terapia, afinal, tenho que ser uma pessoa melhor pra você, né?

Ontem sua avó (sempre a sua avó, lógico!) comprou um cestinho de palha branco e um abajour também branco pra colocar no quarto. Sabe? Nesses últimos meses sua avó tem sido pra você a mãe que eu não estava sendo. Vamos combinar, a ficha da gente demora pra cair, tá? Mas a sua avó tem cuidado de cada detalhe das suas coisinhas. Nosso quarto vai ser branco. Tudo branco. Aliás, branco e bege. Acabei de conversar com a Rogéria e daqui a 4 semanas nós vamos fazer o US morfológico pra contar quantos dedos você tem (heheheh) e até vai dar pra ver com certeza se você é Ian ou Anita.

O Rio
Composição: Seu Jorge, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Marisa Monte

Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar

Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração

Lembra, meu filho, passou, passará
Essa certeza, a ciência nos dá
Que vai chover quando o sol se cansar
Para que flores não faltem
Para que flores não faltem jamais

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Eu quero!!!

Filho de pais que trabalha(ra)m com telecom, só podem sair da maternidade vestidos assim:

Ahahahaha… Onde eu acho isso?! PRECISO de um desses!!!

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13 semanas…

Oiê! Coisinha…

Ontem nos entramos na 13a. semana! Você está com tipo uns 10 cm e eu te vi de novo no ultrassom de translucência nucal. Você tava dormindo, eu acho, e nós te acordamos… Aí você começou a mexer muito! Mas eu ainda não senti nada…

Quem fez foi o Dr. Bruno, indicado pela Dra. Rogéria, e provavelmente vai ser ele que vai fazer todos os seus US daqui pra frente. Ele é um cara muito bacana, bem técnico e divide o US em dois pedaços: o que ele precisa ver e o que eu preciso ver… Hehehe… claro que eu preciso do comentado!

Bem, aos fatos: os dois indicadores que remetem a alterações cromossômicas, tipo Síndrome de Down, deram negativos. Respirei muito aliviada! Graças a Deus você vai vir cheio de saúde e normalzinho.

Daí vi seus pézinhos e seus 10 dedinhos do pé. VI sua maõzinha debaixo do queixo, sua coluna vertebral perfeitinha e bem fechadinha, suas costelas, seu figado, enfim… você está inteirinho, só crescendo.

Daí o Dr. Bruno soltou a pérola:

“Bem, só o sexo que ainda não dá pra ver direito.”

“Ainda? Direito? Ou seja, dá pra ver alguma coisa! Num dá?”

“É… alguma coisa dá…”

“Dr. pela sua experiência, você diria que é o que?”

“Eu acho que temos aqui um menino! Mas veja bem: EU ACHO. Só vamos ter certeza daqui a 3 semanas.”

Então… daqui a 3 semanas eu vou saber se compro um macacão azul ou rosa pa você. Mas… grandes chances de comprarmos um azul! Acho que quem vai dar pulinhos de felicidade é seu avô! Não vejo a hora de saber logo pra ir contar pra ele!

Bem, mas vamos aos fatos…

Teoricamente você está assim:

Enquanto o bebê continua a crescer, começam a se formar as cordas vocais. A face parece cada dia mais e mais humana. Os olhos começam a se mover para ficarem juntos na frente da face assumindo sua posição normal e definitiva. É possível agora determinar o sexo do bebê, olhando para os genitais externos, se estivermos olhando bem de perto (através do ultra-som o sexo pode ser determinado com certeza em torno da 16ª semana). Os intestinos já estão completamente no interior do corpo do bebê; o fígado começa a secretar a bile e o pâncreas começa a produzir insulina. O bebê mede cerca de 13 a 14 cm (dos pés à cabeça) e pesa cerca de 30 gramas.

E eu assim:

A maioria dos sintomas ruins do início da gravidez começam a desaparecer e sua barriga ainda não deu sinal. Se você ainda se sente cansada, escute seu corpo e descanse. Ele está trabalhando pesado nesse momento. À medida que seu útero estica você pode sentir o abdome doloroso. Os ligamentos que sustentam o seu útero esticam para acomodar o crescimento desse órgão. Essa é a chamada dor do ligamento “redondo”. Muitas vezes é interpretada como uma “fisgada” perto da região da virilha.

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12 semanas…

Hello, kiddo!

Hoje entramos na 12a. semana…

Semana passada nós fomos na Dra. Rogéria e ela me falou que, se eu não reduzir a quantidade de açúcar que como, nós corremos o risco de desenvolver diabete gestacional – o que é bem chato e complicado pra você…

Então cortei o açúcar. A única coisa que posso comer de doce por dia é um quadradinho de chocolate. Um dia você vai saber o que é comer um quadradinho de chocolate e te falo: não é legal! Mas tá bom… pelo menos a gente eu vou engordar pouco na gestação e você vai vir bem saudável. Isso que importa.

Semana que vem nós vamos fazer outro ultassom. Chama translucência nucal. É pra ver quais são as chances que você tem de vir com Síndrome de Down (toc, toc, toc. Bate na madeira 3 vezes!). Apesar desses primeiros US serem bem incômodos pra mim, eu adoro poder ver você de perto todas as vezes no monitorzinho. Tomar que na clínica tenha um equipamento pra gente gravar, senão seu pai vai ter colocar o celular pra funcionar…

Bem, mas você está mais ou menos assim:

Nessa fase quase todos os órgãos e estruturas do feto estão formados. Eles continuarão a crescer e desenvolver até o parto. Os dedos das mãos e pés já se separaram e os pelos e unhas iniciam o seu crescimento. Os genitais começam a assumir seu aspecto final feminino ou masculino. O líquido amniótico começa a se acumular à medida que os rins do bebê começam a excretar urina. Os músculos das paredes intestinais começam a se movimentar – é o peristaltismo intestinal – contrações no interior do intestino que ajudam na digestão e movimentação dos alimentos. O bebê mede cerca de 9 a 11 cm (da cabeça aos pés) e pesa em torno de 20 gramas.

E eu assim:

Seu útero continua crescendo. A boa nova é que ele vai parar um pouco de pressionar sua bexiga e as visitas ao banheiro vão diminuir um pouco. Aproveite enquanto pode, pois no terceiro trimestre, o útero estará tão grande a ponto de voltar a pressionar a bexiga (alegria de pobre dura pouco, já te falei…). O mal estar matinal já está sob controle e você já se sente menos cansada (verdade). Dores de cabeça e tonturas leves, bem como palpitações são comuns nessa fase graças ao aumento de volume sanguíneo (dor de cabeça só?! MUITA DOR DE CABEÇA! E subir escada parece o fim dos tempos!).

Ontem sua avó chegou em casa cheia de pacotes com presentes e conversou com você pela primeira vez. Ela comprou 280 cabides brancos (você vai ter que ter muuuuita roupa pra ocupar todos eles), uma mantinha bege linda, uma toalha e um CD pra eu botar pra você escutar. É um negócio meio de respiração, mas se me ajudar a dormir, tá limpo! Depois eu coloco as fotos…

Sono é outra coisa que anda meio atrapalhado, sabe? Nosso sono tem sido muito agitado, eu mexo a noite inteira e, no dia seguinte, claro, estou um bagaço. Chega no fim do dia, hora de ir pra faculdade, e a minha vontade é me jogar na cama. Mas… como tenho tido forças, aprumo o corpinho e me mando pra aula. Tá que ontem eu quase dormi na aula de Estatística, mas tá valendo.

Por hoje é só… Deixa eu ir trabalhar porque o dia tá só começando e eu ainda tenho muuuuita coisa pra fazer.

Beijo…

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Não precisa dizer muita coisa…

Amanhã já são 12 semanas… não vejo a hora!

Eu e você…

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Sobre o milagre que é você na minha vida…

Hoje eu li um poeminha do Rubem Alves que fala sobre uma flor que, ignorando uma intempérie, insisitia em nascer. Esse é você pra mim… Ignorando a doença, ignorando a fase da vida, a imaturidade do meu relacionamento com seu pai, você veio. E veio pra me mostrar que eu dou conta de tudo e mais um pouco. Que por você eu tiro forças do inimaginável, que a minha vida eu vivo sim em função de alguém.

“Já escrevi sobre uma surpresa que tive,
faz muitos anos,
numa manhã de frio intenso,
vento forte e céu enfarruscado,
que anunciavam que haveria neve pela tarde.
As árvores sabiam disso e já estavam todas sem folha.
Foi então que, caminhando pelo jardim que à tarde estaria todo branco,
vi uma planta doida.

Ela não ligava para a nevasca da tarde: um botão de flor preparava-se para abrir.”

Rubem Alves
Quarto de Badulaques LXXXI

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10 semanas…

Oi, filho(a)…

Dizem que você tá assim mais ou menos…

No início desta semana o bebê mede cerca de 22 mm. Ele começa a se movimentar dentro do útero, embora a mãe não perceba. Os olhos estão bem desenvolvidos, porém ainda situados de cada lado da cabeça do embrião. Como o crescimento da cabeça continua, eles irão migrar para a porção frontal da face. As orelhas estão implantadas em posição baixa na cabeça, contudo se moverão para cima à medida que ela crescer. Nos próximos 3 dias a língua termina sua formação. O fígado causa uma proeminência ventral no abdome. Em embriões femininos o clitóris está começando a se formar. O pênis se desenvolverá a partir dos mesmos tecidos, apesar de ainda ser difícil de reconhecer os genitais externos. A maioria das articulações já se formou – cotovelos, quadris, joelhos, ombros, tornozelos, bem como as pequenas juntas dos pés, mãos e dedos. Os membros superior e inferior estão bem desenvolvidos. Os dedos das mãos se tornam mais longos e os dos pés se separam e tornam-se distintos. Uma fina membrana de células achatadas, a precursora da pele, substitui o fino ectoderma do embrião. No final desta semana, o embrião mede cerca 26-30 mm e pesa cerca de 2,0 g. Nesse último estágio de desenvolvimento embrionário, todas as estruturas externas e internas essenciais estão presentes. Os principais sistemas estão integrados e formados. Ao término dessa fase o embrião aumentou o peso cerca de 50 vezes.

E eu tô mais ou menos assim:

O mal estar matinal começa a melhorar para algumas mães (sim, verdade. Graças a Deus!!!). Para outras mulheres pode até piorar. Há quem diga que quando o bebê é do sexo feminino há chance de ter mais vômitos do que o normal (eu não sei o que é normal porque, na verdade, só tive enjôos horríveis e nunca vomitei. Se vomitar for sinônimo de menina… bem… então acho que você é menino…). Isso pode ser verdade, em parte, pois os níveis de beta-hCG são mais elevados nesses casos. Nesta semana vamos nos queixar de mau humor (hoje eu tô especialmente azeda) e a face pode ficar mais ruborizada devido ao aumento dos hormônios (progesterona). Palpitações podem acontecer, mas são transitórias. Seu volume de sangue aumentará cerca de 40-50% durante a gestação. Como resultado, você vai notar com mais facilidade as veias, especialmente, em sua barriga, mamas e pernas.

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Ser mãe é…

Minha tia Kika (tá, Mônica) me mandou esse texto hoje de manhã e eu achei lindíssimo, pertinente, sensível e verdadeiro. Acho que é a melhor tradução do que é ser mãe…

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em ‘começar uma família’.
‘Nós estamos fazendo uma pesquisa’, ela diz, meio de brincadeira. ‘Você acha que eu deveria ter um bebê?’
‘Vai mudar a sua vida,’ eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.
‘Eu sei,’ ela diz, ‘nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .’
Mas não foi nada disso que eu quis dizer.
Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar ‘E se tivesse sido o MEU filho?’. Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.
Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de ‘Mãe!’ fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.
Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade.
Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê.
Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.
Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina.
Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald’s se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.
Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma.
Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho.
Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida — não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.
Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.
O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa.
Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.
Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.
Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.
Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
‘Você jamais se arrependerá’, digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus… que é ser Mãe.’

Autor Desconhecido

 

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